A Biotecnologia é uma das áreas que mais crescem no
mundo. A técnica é responsável pela criação de medicamentos eficazes no combate
de doenças. Por isso, a Universidade Estadual do Piauí (UESPI) através da
orientação do professor Francisco das Chagas Alves Lima, doutor em Química,
agrega valores biotecnológicos a doutorandos do Estado do Piauí. Assim,
contribuem para melhorar a saúde da população.
Um dos fatores de ascensão da Biotecnologia está na
característica do uso de organismos vivos para a produção de bens e serviços,
além de melhoramento genético e criação de novos produtos, que podem ser
medicamentos, ingredientes para alimentos industriais, e plantas. Normalmente a
técnica está envolvida nas áreas da Química, Biologia, Física e outros.
“A biotecnologia tem a capacidade de extrair algo
natural de forma a aplicar em alguma doença. Hoje, se sabe que o Coco Babaçu
tem várias substâncias com potenciais diferentes. Por isso, retiramos aquela
substância para ter uma aplicação biotecnológica”, explica o professor
orientador Francisco das Chagas.
Contando com um grupo de pesquisa na área da
tecnologia citada, o professor Francisco das Chagas realiza orientações
relacionadas às potencialidades naturais, ou seja, são identificadas quais
plantas possuem potenciais medicinais. Dessa forma, é verificado o estado das
plantas, além de identificar quais substâncias podem ser aplicadas em algumas
doenças.
Com isso, as pesquisas geram demandas econômicas,
sociais e biotecnológicas a sociedade. O primeiro fator, econômico, pode
agregar valor a uma determinada região que contém uma planta que é cultivada.
“A comunidade será beneficiada caso seja descoberto
um potencial farmacológico encontrada na substância da planta, pois para poder
usá-la é necessária uma permissão da comunidade. Também podem ser instaladas
indústrias farmacêuticas e o recurso será diretamente para aquela região”,
afirma o professor.
O segundo, no que diz respeito ao valor social,
está relacionado às patentes, ou seja, direitos exclusivos que garantem ao dono
(titular) a segurança de explorar comercialmente a sua criação. “A patente pode
gerar algo que será encontrado futuramente por alguma empresa. As faculdades e
universidades, que são as detentoras, terão um valor mais significativo. A
própria comunidade será beneficiada, pois ela vai receber um produto que é
natural, regional e será aplicado diretamente”, destaca.
Dessa forma, o grupo de pesquisa já garante
resultados satisfatórios, dentre eles a publicação de trabalhos. Além de levar
soluções para combater a “doença de Chagas”, a “barriga d’água” e aplicações
para doenças relacionadas ao sistema nervoso do corpo humano.
Pesquisa busca medicamentos contra a
Doença de Chagas
A tripanossomíase americana, popularmente conhecida
como “Doença de Chagas”, é tema da pesquisa “Planejamento Racional, Modificação
Estrutural de Alcaloide com Aplicação Biotecnológica contra Doença de Chagas”
realizada pela doutoranda e enfermeira Mayra Costa e Silva e com orientação do
professor Francisco das Chagas. A doença é preocupante uma vez que inclui o
alargamento dos ventrículos do coração (câmara inferior) levando a
insuficiência cardíaca do indivíduo.
Segundo a doutoranda, após a realização de estudos
no Jaborandi (espécie de planta) foi constatado que ela possui um alcaloide com
uma atividade contra a doença de Chagas, sendo assim caracterizado na área da
biotecnologia.
“Nosso trabalho é aprimorar o alcaloide para ver se
ele tem uma aplicação contra a doença. Dessa forma, queremos proporcionar um
novo medicamento para essas doenças que prejudicam tanto a população”, afirma.
O jaborandi é uma planta nativa no Piauí. Como a
maioria das plantas, o Jaborandi possui um Alcaloide, ou seja, são substâncias
que contém oxigênio na fórmula, por isso são antioxidantes e ajudam o retardo
do envelhecimento, além de prevenir doenças e outros.
Com isso, a pesquisa beneficia o caráter de
formação da doutoranda. “A Biotecnologia é uma nova área que estou adentrando.
Estou gostando muito, pois está me proporcionando um novo olhar para algo mais
evidente, real e que contribui para saúde da população”, diz.
Estudo visa formulação de remédios
para ansiedade
As doenças do Sistema Nervoso Central recebem
destaque através da pesquisa Bioprospecção de Atividades Farmacológicas
Centrais e Avaliação Toxicológico não Clínica de Derivado Semissintético das Ripárias
naturais” realizada pelo doutorando e farmacêutico Everton Araújo. O estudo tem
como foco a formulação de remédios para ansiedade e epilepsia.
De acordo com o doutorando, a pesquisa utiliza da
sinterização (tornar mais denso) de um derivado de uma molécula natural (Ripárias).
Em seguida a substância será testada em modelos de Química Computacional. “Se
os resultados forem bons, como já estão prometendo que serão, vamos testar a
substância em modelos animais para validar a presença da atividade
farmacológica no sistema nervoso central”, afirma.
A substância servirá como protótipo para a síntese
de um novo remédio utilizado pela população no combate de doenças do sistema
nervoso central.
No entanto, a pesquisa já beneficia a formação
pessoal do pesquisador. “Sou farmacêutico e professor do curso de Farmácia,
então a pesquisa tem relação direta para minha formação e atuação acadêmica,
pois contribui para aprimorar o meu conhecimento no que diz respeito a
farmacologia do princípio ativo.
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